Ao inaugurar o ano acadêmico das Universidades Pontifícias de Roma, o Papa destacou a importância do estudo, alertou contra os falsos mestres e pediu que a formação acadêmica esteja sempre ligada à realidade, à fé e ao serviço aos mais pobres.
O Papa Leão XIV inaugurou, na tarde de quinta-feira, 8 de outubro, o ano acadêmico das Universidades Pontifícias de Roma, com uma celebração eucarística na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Durante a homilia, o Santo Padre ressaltou que o estudo deve ir além da aquisição de conhecimentos, tornando-se um instrumento a serviço da fé, da verdade e da missão evangelizadora da Igreja.
Segundo o Pontífice, o início do ano acadêmico deve ser uma oportunidade para abrir a inteligência e fortalecer as relações educativas, colocando o conhecimento a serviço de Deus e do próximo.
“Tal como ouvimos na Carta aos Gálatas: a inteligência é determinante para a fé e a missão”, afirmou o Papa.
Papa alerta contra falsos mestres
Ao refletir sobre as leituras bíblicas, Leão XIV alertou para o perigo daqueles que distorcem os ensinamentos religiosos para atender aos próprios interesses.
“Em cada época, não faltam falsos mestres que desviam para os seus próprios interesses o sentimento religioso de muitos fiéis”, observou o Santo Padre, advertindo que essas pessoas podem levar os fiéis a radicalizar aspectos isolados da doutrina, deixando de lado a totalidade da mensagem de Cristo e de seu Evangelho.
Nesse contexto, o Papa destacou a importância do estudo, da reflexão e da capacidade de fazer perguntas como elementos essenciais para o amadurecimento da fé. Conhecer melhor os ensinamentos da Igreja ajuda os cristãos a discernir a verdade e a não se deixarem conduzir por interpretações distorcidas do Evangelho.
O Pontífice também recordou que preservar a riqueza da Revelação exige mais do que acumular informações. É necessário fazer memória das experiências vividas, reconhecer a ação de Deus na própria história e cultivar uma relação profunda com sua bondade.
Conhecimento ligado à vida e aos pobres
Leão XIV pediu ainda que os estudantes não se afastem da realidade durante os anos de formação acadêmica. Para ele, o estudo precisa estar em diálogo constante com a vida concreta, com as pessoas e, especialmente, com os mais pobres.
“Segundo a lógica da Encarnação, fora da qual a Revelação se cala, levem a vida para o estudo e o estudo para a vida”, exortou.
O Papa ressaltou que o isolamento da realidade limita a capacidade de compreender os desafios do mundo e de oferecer respostas verdadeiramente significativas. Por isso, incentivou os estudantes a cultivarem a amizade, a acolhida e a proximidade com aqueles que mais precisam.
O papel da Teologia diante das novas tecnologias
Em sua homilia, o Santo Padre também abordou a importância da Teologia em um contexto marcado pela fragmentação do conhecimento e pelo impacto das novas tecnologias sobre a mente humana.
A reflexão do Papa reforça a necessidade de uma formação que não se limite ao acúmulo de dados, mas que desenvolva a capacidade humana de compreender, discernir e buscar a verdade. A inteligência artificial e os recursos tecnológicos podem contribuir para o conhecimento, mas não substituem a experiência humana, a sabedoria e a dimensão espiritual.
Dirigindo-se aos estudantes que têm a oportunidade de estudar em Roma, Leão XIV fez um apelo para que aproveitem profundamente esse período de formação.
“Não deixem esses anos passar em vão!”, pediu, recordando o testemunho dos apóstolos Pedro e Paulo, que anunciaram o Evangelho e permaneceram fiéis a Cristo até o fim.
Ao concluir, o Pontífice confiou o novo ano acadêmico à intercessão da Virgem Maria, invocada como Sede da Sabedoria, e pediu a ação do Espírito Santo sobre toda a comunidade universitária.
Fonte: Vatican News — Bianca Fraccalvieri
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