Leão XIV pediu à Vida Consagrada da Coreia que seja testemunha de reconciliação e paz. Ao falar sobre a JMJ de Seul 2027, o Papa convidou os consagrados a ouvir, acompanhar e ajudar os jovens a descobrir que seguir Cristo torna a liberdade plena.
O Papa Leão XIV recebeu, nesta segunda-feira, 5 de outubro, representantes da Vida Consagrada da Coreia que vivem em Roma. Diante de cerca de 170 sacerdotes, religiosos e religiosas, o Pontífice recordou a história da Igreja coreana, marcada pelo testemunho dos mártires, e destacou a preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Seul, que será realizada de 3 a 8 de agosto de 2027.
Em sua mensagem, Leão XIV apresentou a Igreja na Coreia como uma Igreja marcada pela memória e pela esperança: memória do testemunho daqueles que deram a vida pela fé e esperança colocada em Cristo Ressuscitado.
O Papa também recordou os desafios enfrentados pelo povo coreano ao longo da história, como perseguições, guerras, pobreza e divisão, ressaltando que o testemunho dos mártires continua sendo uma inspiração para os cristãos de hoje.
O testemunho dos mártires
Entre os exemplos recordados pelo Pontífice está o Venerável Tomás Choe Yang-Eop (1821–1861), considerado o segundo sacerdote da história coreana e conhecido como o “mártir do suor”.
Durante 11 anos, ele se dedicou intensamente à evangelização, até consumir a própria vida no serviço à Igreja.
Para Leão XIV, o testemunho dos mártires demonstra uma verdadeira fortaleza cristã: a capacidade de fazer o bem, servir e perseverar mesmo quando isso exige sacrifício.
O Papa exortou os consagrados a se aproximarem daqueles que estão sozinhos, apoiarem os cansados, procurarem aqueles que se afastaram e terem coragem para perdoar, recomeçar e dialogar.
“Sejam unidos e artífices da paz”
Ao recordar que a península coreana ainda carrega a dolorosa ferida da divisão, Leão XIV fez um forte apelo à reconciliação.
O Papa pediu aos sacerdotes, religiosos e religiosas que sejam “homens e mulheres de reconciliação”, lembrando que a paz começa no coração e nas relações cotidianas.
Segundo o Pontífice, é necessário aprender a ouvir em vez de julgar, perdoar em vez de guardar rancor e escolher a comunhão em vez do confronto.
“Sejam unidos e sejam artífices da paz”, exortou Leão XIV.
O Papa também pediu que continuem rezando e trabalhando para que sejam abertos novos caminhos de encontro e para que o Evangelho da paz possa ser anunciado livremente na península coreana e em todo o mundo.
JMJ de Seul: um encontro entre memória e futuro
A Jornada Mundial da Juventude de Seul, que acontecerá de 3 a 8 de agosto de 2027, terá um significado especial para a Igreja.
Será a primeira JMJ realizada em um país onde os cristãos são minoria e a segunda edição do encontro mundial realizada na Ásia, depois de Manila, nas Filipinas, em 1995.
Para Leão XIV, a JMJ de Seul será um grande encontro entre memória e futuro: os mártires que transmitiram a fé às novas gerações e os jovens que são chamados a levar essa fé pelas estradas do mundo.
O Papa pediu aos responsáveis pela preparação do encontro que acolham os jovens com atenção e proximidade.
“Ouçam os jovens, caminhem com eles”, pediu o Pontífice, ajudando-os a descobrir que seguir Cristo não diminui a liberdade, mas a torna plena.
“Tenham coragem: eu venci o mundo!”
Leão XIV convidou a Igreja na Coreia a preparar a JMJ com paixão, tendo no coração as palavras de Jesus no Evangelho de São João:
“Tenham coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33)
Segundo o Papa, os mártires coreanos compreenderam que a esperança cristã não depende de circunstâncias favoráveis, mas da certeza de que Cristo já venceu.
Assim, a JMJ de Seul poderá ser não apenas um grande encontro de jovens, mas também uma oportunidade para recordar a força do testemunho cristão, promover a reconciliação e anunciar ao mundo a esperança que nasce do encontro com Jesus Cristo.
Fonte: Vatican News – Andressa Collet
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