A doutrina do Purgatório está profundamente conectada ao caminho de perfeição cristã. Ao contrário das objeções protestantes, a Tradição da Igreja confirma que essa purificação permite que almas marcadas por penas temporais alcancem o Céu. O Concílio de Trento reforçou a importância de ensinarmos essa verdade transmitida pelos Santos Padres, destacando que a justificação não é uma simples cobertura do pecado, mas uma real transformação interior da pessoa.
Os santos realizam essa transformação ainda em vida, atingindo virtudes heroicas e amando de forma sobrenatural, o que lhes permite entrar diretamente na presença divina. Já aqueles que morrem em graça, mas sem ter reparado totalmente suas faltas na terra, necessitam do Purgatório. Como lembrou o Papa Bento XVI na encíclica Spe Salvi, a salvação exige passar por esse fogo purificador para se tornar plenamente capaz de Deus.
O erro de Lutero, iniciado com a afixação de suas 95 teses em 31 de outubro de 1517 na capela de Wittenberg, combateu as indulgências e o Purgatório, desestimulando a busca pela santidade terrestre. No entanto, a teologia ensina que a alma pode se purificar ainda neste tempo pelas vias purgativa, iluminativa e unitiva, crescendo na amizade com Deus, no combate aos pecados e no exercício da caridade.
O Purgatório não é um estágio entre o Céu e o Inferno, pois as almas ali presentes já estão salvas. Por isso, a Igreja ensina desde a era apostólica a importância de rezar pelos falecidos, oferecer a Santa Missa e lucrar indulgências. Conforme destacou Santo Tomás de Aquino, como rezar pelos condenados é inútil e pelos salvos no Céu é desnecessário, as preces da Igreja destinam-se a aliviar as penas das almas no Purgatório.
Fonte: Padre Paulo Ricardo — texto reescrito pela equipe do Catequese Católica.
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